10.12.2020
Alessandra Korap Munduruku Recebe Prêmio do Robert F. Kennedy Human Rights de 2020 por Seu Trabalho de Proteção aos Povos Indígenas no Brasil
A cerimônia virtual na quinta-feira, 22 de outubro, incluirá um discurso do ex-secretário dos EUA John Kerry sobre as inúmeras ameaças e desafios que os povos indígenas enfrentam em todo o mundo.

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Washington, D.C. (12 de outubro de 2020)—Robert F. Kennedy Human Rights nomeou Alessandra Korap Munduruku a vencedora do Prêmio de Direitos Humanos de 2020 por seu trabalho em defesa da cultura, meios de subsistência e direitos dos povos indígenas no Brasil.

Os povos indígenas, incluindo a comunidade Munduruku da Alessandra, enfrentaram enormes desafios no Brasil nos últimos anos—desde garimpeiros e madeireiros invadindo e explorando ilegalmente territórios indígenas; aos incêndios generalizados na Amazônia; e um risco aumentado para o coronavírus; sem mencionar um presidente combativo que proativamente removeu proteçōes para comunidades indígenas e as insultou em várias ocasiões. 

Como uma das principais lideranças e organizadoras do povo Munduruku, Alessandra lutou para impedir projetos de construção e mineração ilegal que estão infringindo o território Munduruku, atraindo atenção e apoio internacional. Ela tem defendido a demarcação das terras indígenas e que as comunidades indígenas sejam consultadas sobre as decisões que afetam seus territórios. Alessandra também desempenhou um papel importante no avanço da liderança das mulheres na comunidade Munduruku e entre outras comunidades indígenas no Brasil por meio do seu envolvimento na Associação das Mulheres Munduruku Wakoborûn e na Associação Indígena Pariri. 

“É uma honra ser a ganhadora do Prêmio do Robert F. Kennedy Human Rights deste ano,” disse Alessandra Korap Munduruku. “Ter o respaldo e o apoio adicional da Kerry Kennedy e de toda sua organização, especialmente durante a pandemia, fará toda a diferença à medida que continuamos a lutar pelos nossos direitos, incluindo a demarcação das nossas terras para garantir que os povos indígenas tenham sua autonomia, e pela luta das mulheres que são também a força da resistência.”

“Ao longo da história, os povos indígenas, incluindo os Munduruku, foram repetidamente oprimidos, silenciados e submetidos a terríveis abusos de direitos humanos,” disse Kerry Kennedy, presidente do Robert F. Kennedy Human Rights. “A Alessandra enfrentou heroicamente a intimidação e violência por defender os direitos indígenas em todo o Brasil—incluindo a capacidade de se opor a projetos e desenvolvimentos que afetam seus povos e seus meios de subsistência. Ela é uma campeã dos direitos das mulheres, dos direitos indígenas e do direito fundamental de todos os direitos humanos—o espaço cívico. O espaço cívico protege o direito de discordar, de advogar e defender os direitos humanos, livre de represálias do governo. É a pedra angular de uma democracia funcional.”

A Alessandra será homenageada em uma cerimônia virtual na quinta-feira, dia 22 de outubro, às 18h00 EDT. O evento é gratuito e aberto ao público. Registre-se aqui

Kerry Kennedy apresentará o prêmio, que será seguido por um discurso do ex-secretário de Estado dos EUA, John Kerry, sobre as inúmeras ameaças e desafios que os povos indígenas enfrentam em todo o mundo. Andrew Revkin, diretor do Earth Institute na Columbia University, moderará em seguida uma discussão sobre o trajeto adiante para as comunidades indígenas no Brasil com um estimado painel de especialistas:

  • Juarez Saw Munduruku, Cacique da Aldeia Sawre Muybu no Brasil
  • Maria Leusa Cosme Kaba, Líder das mulheres Munduruku
  • Francisco Cali-Tzay, Relator Especial da ONU para os Direitos dos Povos Indígenas
  • Sebastião Salgado, Fotógrafo documental franco-brasileiro premiado 
  • Antonia Urrejola, Relatora sobre os Direitos dos Povos Indígenas e Comissária da Comissão Interamericana de Direitos Humanos
  • Christian Poirier, Diretor de Programa da Amazon Watch 

Desde 1984, o prêmio anual do Robert F. Kennedy Human Rights homenageia ativistas por sua busca implacável por justiça em todo o mundo, fornecendo financiamento e apoio estratégico para o avanço de seu trabalho. O prêmio vem com uma recompensa de $30,000 e fornece suporte contínuo por parte do Robert F. Kennedy Human Rights—por meio de litígios estratégicos, treinamento e capacitação e defesa junto a governos, organizações internacionais e outras instituições—para garantir uma mudança duradoura.

Os ganhadores anteriores do Prêmio de Direitos Humanos incluem Angry Tias and Abuelas of the Rio Grande Valley (2019) por sua busca por dignidade e justiça para aqueles que buscam asilo na fronteira dos EUA-México; Alfredo Romero (2017) por seu trabalho com o Foro Penal, prestando assistência jurídica gratuita a vítimas de detenção arbitrária, tortura e outras violaçōes dos direitos humanos na Venezuela; Frank Mugisha (2011) por defender os direitos humanos das minorias sexuais em Uganda, finalmente derubando a lei do pais que criminalizava a homosexualidade; Magodonga Mahlangu and Women of Zimbabwe Arise (WOZA) (2009) por empoderar as mulheres para se empenharem por mudancas politicas e socias no Zimbábue; e a Coalition of Immokalee Workers (2003) por seus esforços para acabar com a exploracao de trabalhadores migrantes na industria agrícola dos EUA, uma forma de escravidão moderna que persiste até hoje. 

O 37º Prêmio do Robert F. Kennedy Human Rights anual é possível em parte pelo apoio generoso de Donato Tramuto.


Robert F. Kennedy Human Rights
Somos uma organização apartidária e sem fins lucrativos que tem trabalhado para realizar o sonho do Robert F. Kennedy de um mundo mais justo e pacifico desde 1968. Em parceria com ativistas locais, defendemos as principais questões de direitos humanos—defendendo os agentes de mudança e buscando litígios estratégicos no país e no mundo todo. E para garantir mudanças duradouras, promovemos uma abordagem de bem-estar social para negócios e investimentos e educamos milhões de estudantes sobre direitos humanos e justiça social.

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